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IoT (Internet das coisas), tudo ficará conectado

Já imaginou seus sapatos terem a capacidade de mostrar nas redes sociais o local onde você se encontra, por onde caminha. Ou, quando estiver voltando para casa depois do trabalho você possa, por meio do celular, dar uma ordem para ligar o fogão e desligar quando a panela e seus sensores derem a instrução? Embora pareçam ser ideias tiradas de um filme de ficção científica, são apenas dois exemplos para onde estamos caminhando com a "Internet das coisas" (da sigla em inglês: IoT, Internet of Things). E isso se dará mais rapidamente do que imaginamos.

Ter tudo conectado à internet parece ser uma tendência das principais fabricantes de tecnologia. Uma prova disso foi a última edição da feira de eletrônica de consumo (CES), realizada em Las Vegas na primeira semana de janeiro, na qual uma alta porcentagem das novidades e dos lançamentos eram voltados ao que passou a se chamar “Internet das coisas”, “Internet de tudo” ou “as coisas conectadas”.

Segundo informações da assessoria de imprensa da feira, mais de 900 expositores mostraram inovações que aproveitam o poder da rede para conectar dispositivos de uso cotidiano, com a finalidade de oferecer um maior controle e administração do dia a dia das pessoas e organizações.

São várias as empresas que estão empenhadas nesse tipo de desenvolvimento. Uma delas é a Samsung que, com sua visão sobre o assunto mostra o que podemos esperar. A empresa anunciou que, para 2017, 90% de seus produtos estarão conectados, e seu objetivo será chegar a 100% em 2020. E no mesmo caminho vem a Cisco, que prevê um número aproximado de 17 bilhões de objetos conectados em 2020, e por isso conta com um departamento dedicado à pesquisa e desenvolvimento dessa tecnologia.

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Mas os números da Cisco poderiam soar conservadores, comparados aos da Gartner, que espera que para o mesmo ano existam aproximadamente 26 bilhões de dispositivos conectados, enquanto que as pesquisas da Abi Research mostram que chegarão à casa dos 30 bilhões de dispositivos. E poderá ser um número ainda maior quando entrar em operação o protocolo IPv6, que facilitará esse tipo de conexão.

Nesta busca acelerada por desenvolver objetos capazes de se conectarem, ainda não está claro até onde se quer chegar nem suas consequências. Mas está claro que todos querem aproveitar esta tendência.

Oportunidades para todos

Federico Bausone, CEO da GME Electronics do México, dedicou sua vida profissional à tecnologia, e nos últimos anos mostrou um interesse especial na relação AV/IT e na internet das coisas. Ele comentou que desde a década de 80 se fala dos objetos conectados, porém, somente agora podemos ver seus avanços, e sabemos que continuará crescendo de forma acelerada.

Sem dúvida, esse crescimento afetará positivamente a domótica, que tem se desenvolvido graças ao fato de poder controlar objetos a distância que estejam conectados à rede. Até hoje, as funções gerais da automatização doméstica e corporativa têm facilitado o controle de iluminação, dos acessos e da segurança em geral, bem como dos sistemas de áudio e vídeo.

À medida que os objetos vão se conectando à rede, a automatização vai se integrando às casas e empresas. Aos poucos, outros “gadgets” vão sendo agregados, como por exemplo, ter uma lista online dos produtos existentes na geladeira para saber o que está faltando, e objetos mais conhecidos, como relógios ou óculos chamados inteligentes.

E mesmo que a domótica seja altamente beneficiada, não será o único segmento que poderá tirar proveito desta tendência. Federico Bausone afirmou que “muitas coisas estarão conectadas, objetos que não imaginaríamos que poderiam estar na rede, e por isso, todos os setores se beneficiarão. Os fabricantes da indústria de AV, eletrônica e em geral todos os setores, estão buscando o que fazer com a internet das coisas e como tirar o melhor proveito”.


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Segurança e privacidade

O roubo de informações de cartões de crédito utilizados em uma reconhecida cadeia de lojas nos Estados Unidos e de informações de usuários dos sistemas Apple e Google, são algumas das notícias que foram divulgadas nos últimos meses e que geraram um grande impacto pelo número de pessoas afetadas. E também servem de exemplo para abordar uma das principais preocupações da internet das coisas: como garantir a segurança das informações.

A questão da segurança afeta até as coisas mais simples, como ter objetos conectados em que os usuários poderão acessar informações e controlá-las de seu dispositivo móvel, seja um smartphone, tablet ou até o computador. Porém, o que acontecerá se o usuário perder seu dispositivo, ou se essas informações caírem em mãos erradas? E consequentemente, a violação em grande escala de sistemas com informações de milhões de pessoas, como foi mencionado anteriormente.

Federico Bausone explicou que a violação da rede já existe hoje em dia, e é uma preocupação dos fabricantes. Por isso que a segurança e a privacidade terão um papel fundamental no desenvolvimento de produtos a serem conectados. “A relação entre segurança e privacidade é uma preocupação que marcará o desenvolvimento de sistemas e protocolos de segurança que se especializarão paralelamente ao desenvolvimento, mas sempre haverá um risco presente”.

Além da segurança, há também um assunto que preocupa e que vai além da tecnologia. Ao ter todos os objetos conectados, como isso poderá afetar a privacidade das pessoas, porque estes objetos têm a capacidade de oferecer informações sobre o que cada usuário faz e suas preferências pessoais.

Com isso, muitas perguntas ficam no ar, como por exemplo: Quem terá acesso a essas informações? Com qual finalidade elas serão usadas? Como os usuários poderão proteger sua privacidade? São algumas perguntas que nosso convidado especialista qualifica como das mais importantes e que ainda não têm respostas claras. “A privacidade das pessoas com a internet das coisas é outro assunto que ainda não está definido por parte dos fabricantes. Se uma pessoa quiser evitar os riscos de que suas informações sejam violadas ou usadas, ela terá a opção de não utilizar objetos conectados, mas também deveria haver uma forma de garantir a proteção das informações, e isso está sendo desenvolvido”.

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E não é só a questão de como conectar objetos que se está sendo pesquisada e desenvolvida, mas também como aproveitar estas informações. Um exemplo é o da companhia Adobe que acaba de divulgar novidades em seu sistema de Marketing Cloud, que permite às marcas oferecerem experiências altamente personalizadas em espaços físicos, tais como lojas de varejo, quartos de hotéis, máquinas de vendas automatizadas e dispositivos para a internet das coisas.

Em uma das partes da descrição do serviço, a Adobe mostra que “O novo kit de desenvolvimento de software para a IoT permite às marcas medirem e analisarem a participação dos consumidores em qualquer um desses dispositivos. Agora, os dados de marketing são utilizados de maneira organizada com dados coletados por outros departamentos, como vendas e assistência ao cliente, criando uma visão mais valiosa do cliente”. Vale esclarecer que esse sistema da Adobe é mencionado como um exemplo do que pode acontecer com as informações dos objetos conectados.

Por último, Federico Bausone acrescentou que o fenômeno da internet das coisas já está ocorrendo no mundo todo. Muitas empresas fazem pesquisas sobre o assunto, inclusive na América Latina. Ele destaca que a conectividade será um tema-chave na região; à medida que as redes 4G aumentam, haverá mais possibilidades para estes equipamentos. “Acredito que para a América Latina e o mundo em geral ainda surgirão muitos conhecimentos tecnológicos”.

 

 

 



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