México. A Associação Mexicana de Centros de Dados, MEXDC, apresentou os resultados do primeiro estudo sobre perfis profissionais e necessidades de talento na indústria de Data Center no México, revelando a realidade de uma lacuna crítica no treinamento, visibilidade e disponibilidade de talentos técnicos e habilidades interpessoais essenciais para sustentar o crescimento acelerado do setor.
Levando em conta que o Estudo de Mercado de Centros de Dados do MEXDC estima que, até 2030, o país alcançará mais de 18 bilhões de dólares em investimento direto e mais de 54 bilhões em investimentos indiretos, além de gerar quase 100 mil novos empregos, a Associação realizou um Relatório de Perfis de Data Center, que coletou informações de empresas no México especializadas em tecnologia, infraestrutura crítica e operação de Data Centers, buscando identificar visibilidade e lacunas de talentos, os perfis mais requisitados, a oferta de treinamento disponível e as soft skills necessárias para impulsionar o setor nos próximos cinco anos.
Uma das descobertas mais relevantes é que as áreas consideradas mais críticas para a operação de Data Centers são Operação e Manutenção (23%) e Arquitetura de Data Center (23%). Eles são seguidos de perto pelo Design de Infraestrutura (19%) e Gestão de Energia (16%), que mostram que o núcleo operacional e técnico é prioridade para as empresas que apoiam a infraestrutura digital do país.
No entanto, essa necessidade contrasta com uma alarmante escassez de talentos especializados. A falta de profissionais está concentrada principalmente na engenharia elétrica e mecânica (39%) e na gestão intermediária para a operação de Data Center (32%). Isso reflete uma discrepância urgente entre o que a indústria exige e o que o mercado de trabalho oferece.
Mais de dois terços das empresas relataram sérias dificuldades para preencher vagas nos últimos 12 meses, evidenciando uma crise de talentos técnicos qualificados que compromete a capacidade do setor de expandir e operar de forma confiável.
O documento também expõe uma percepção preocupante em relação à formação acadêmica: apenas 6% das empresas entrevistadas se declararam "muito satisfeitas" com a preparação de formandos de universidades locais. Em contraste, 67% expressaram baixo nível de satisfação com o treinamento atual.
"Esses resultados ressaltam a necessidade urgente de repensar os esquemas de colaboração entre instituições educacionais e empresas do setor. As áreas mais críticas – energia, operação, manutenção e design de infraestrutura – exigem programas acadêmicos e técnicos mais alinhados às demandas da indústria, bem como esquemas de treinamento teórico-prático que permitam uma transição trabalhista mais eficiente", disse Amet Novillo, presidente do MEXDC.
Embora as empresas reconheçam o valor dos estágios profissionais, programas de treinamento e esquemas de ligação com universidades, apenas 10% participam ativamente desse tipo, 45% de forma limitada e 29% demonstram interesse em iniciar, o que demonstra uma área de oportunidade estratégica para o país.
No entanto, esses resultados contrastam com o progresso alcançado no último ano: o MEXDC assinou oito acordos de colaboração acadêmica com universidades e universidades tecnológicas do Estado de Querétaro e consolidou o programa acadêmico Masterclass do MEXDCC, que hoje alcança mais de dez universidades em diferentes estados do país.
Graças a essas ações – complementadas por visitas guiadas a data centers que fazem parte da Associação, bem como pelo lançamento do Programa de Bolsas MEXDC, que abriu sua primeira convocatória para 20 estudantes – centenas de jovens tiveram acesso a conteúdos especializados e uma visão direta da real operação da infraestrutura digital do país.
Embora esse esforço ainda represente uma contribuição inicial diante da magnitude do desafio, ele constitui o início sólido de uma grande transformação na formação de talentos técnicos que a indústria exige.
"A falta de compreensão sobre a relevância estratégica desse setor – que apoia serviços bancários, telecomunicações, comércio eletrônico, streaming, inteligência artificial e grande parte da economia digital – continua limitando sua capacidade de atrair profissionais com alto potencial técnico", disse Amet Novillo.
Ele acrescentou que as ações já realizadas pelo MEXDC, como masterclasses, acordos acadêmicos, visitas de treinamento, bolsas de estudo e fóruns educacionais, mostram que a divulgação e visibilidade precoces do setor realmente geram interesse real nas novas gerações. Ele enfatizou que expandir essas iniciativas com feiras universitárias, programas de divulgação, campanhas de visibilidade e maior presença da indústria nos espaços acadêmicos será fundamental para acelerar o desenvolvimento dos talentos que o México precisa.
O MEXDC destaca que o futuro do setor de Data Center no México – e, consequentemente, do ecossistema digital do país – depende diretamente da capacidade de atrair, desenvolver e reter talentos técnicos altamente qualificados.
"O estudo do MEXDC deixa claro que o desafio não é apenas técnico: requer o fortalecimento das habilidades humanas, a promoção de programas de treinamento prático, o alinhamento acadêmico com a indústria e a visibilidade de um setor que, embora essencial, permanece em grande parte desconhecido para as novas gerações. Este momento representa uma oportunidade única para construir talentos que garantirão a continuidade operacional, a inovação e o crescimento da infraestrutura digital que o México precisa hoje e na próxima década", concluiu Adriana Rivera, diretora executiva do MEXDC.

