América Latina. Como todos os anos, a Consumer Electronics Show, CES, foi novamente o principal termômetro de direção para onde a indústria global de tecnologia está caminhando.
Além dos lançamentos pontuais, a CES 2026 deixou um sinal claro: a inteligência artificial não é mais apresentada como uma categoria própria e tornou-se a camada transversal sobre a qual praticamente todos os novos produtos e serviços estão sendo construídos.
Isso muda a lógica competitiva do setor. Não se trata mais de quem tem "mais IA", mas de quem consegue integrá-la de forma mais eficiente, útil e com menos atrito para o usuário. A carreira deixou de ser tecnológica no sentido estrito e passou a ser estratégica, com design de sistemas, experiência do usuário e, cada vez mais, controle sobre dados, plataformas e ecossistemas.
Talvez a tendência mais óbvia tenha sido a integração da inteligência artificial na robótica doméstica que, pela primeira vez, não pareceu um protótipo exagerado, mas sim uma realidade próxima. Robôs deixaram de ser brinquedos para se tornarem assistentes multifunções capazes de executar tarefas específicas, desde limpeza até interação além de um simples comando de voz. Essa evolução mostra uma indústria convencida de que a automação não é mais opcional, mas necessária para ganhar tempo e eficiência no dia a dia.
Além disso, a IA não se limitava apenas a robôs ou dispositivos isolados, ela estava presente em dispositivos vestíveis que não apenas capturam métricas básicas, mas já oferecem interpretações comportamentais, em telas que personalizam o conteúdo com base em hábitos e em sistemas que antecipam rotinas, sugerem ações e eliminam etapas desnecessárias. A integração já é encontrada até mesmo em eletrodomésticos, onde a IA não apenas simplifica operações, mas também analisa, prevê e propõe, transformando artefatos tradicionais em assistentes pessoais.
A CES 2026 também mostrou uma expansão temática que vai além do lar inteligente: tecnologia digital de saúde, mobilidade avançada e sistemas de monitoramento contínuo estão entrando no cotidiano com uma promessa ambiciosa: antecipar problemas antes que ocorram e facilitar decisões informadas.
No entanto, essa onipresença tecnológica não vem sem questionamentos. À medida que a IA se integra a mais aspectos da vida cotidiana, surgem desafios significativos em torno de privacidade, regulação e dependência tecnológica. Não é apenas uma questão técnica, mas também social e ética. Esse debate, que está começando a surgir com força, será tão relevante quanto as próprias inovações, pois define como coexistiremos com essas ferramentas nas próximas décadas.
No fim das contas, a CES 2026 foi a fotografia de um momento de transição: a tecnologia está deixando de ser um espetáculo e está se transformando em um ambiente. E isso muda não só o que vestimos, mas também a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos com o mundo.
Análise de Gonzalo Rojon da Unidade de Inteligência Competitiva, The CIU.

