Em mais de vinte anos cobrindo o mercado de tecnologia, com foco na prestação de serviços, aprendemos que é fundamental construir uma relação de confiança entre integrador e usuário.

Orlando Barrozo*

Um artigo recente na internet lembrava que “a única certeza a respeito da tecnologia é que ela continuará evoluindo”. Ninguém sabe como serão os sistemas de comunicação e entretenimento daqui a cinco ou seis anos. Mas podemos apostar que um profissional, para projetar ou instalar um sistema AV, precisará dominar mais especialidades do que as exigidas atualmente.

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A transição está sendo rápida, mais até do que a maioria dos profissionais gostaria ou estava preparada para enfrentar. Talvez seja um consolo lembrar que esse processo atinge todas as outras atividades no mundo atual. Os cases Uber e AirBnb são ilustrativos. O transporte público jamais voltará a ser o mesmo após a chegada do aplicativo que permite “escolher” seu motorista, combinar os horários convenientes, ser bem tratado durante o trajeto e evitar o stress de discutir sobre o valor da corrida. 

Assim como surgem novas profissões (uberdriver é só uma delas), há no mercado Pro AV uma nova demanda dos usuários. Eles querem e precisam ser atendidos por profissionais qualificados, com formação a mais ampla possível. Não se aceitam mais as antigas soluções “passa-fio”, até porque o uso de sistemas wireless é uma tendência irreversível. 

Exemplo básico: uma sala de treinamento não pode mais ficar restrita a projetor, tela, amplificador e caixas acústicas (às vezes, ar condicionado). O instrutor vai usar material da internet; alguns fazem a apresentação a partir de seu smartphone, e não importa se é um iPhone, Android ou Windows. Idem os alunos, cada um com seu laptop ou tablet verificando online os tópicos apresentados. A conexão precisa acomodar tudo isso.

As luzes da sala devem ser controladas via automação, ou app, assim como as cortinas e o ar condicionado. Ah! Sim, é necessário conter os ruídos externos, quem sabe com atenuadores acústicos nas portas e janelas, para que todos otimizem o aproveitamento da sessão.

Dentro desse conceito, cabe ao integrador a responsabilidade de verificar desde o dimensionamento do projeto até a qualidade dos cabos e conectores, passando pela programação e acionamento adequados dos recursos. O contratante pode ter pouca verba, mas também sabe que um projeto como esse, bem executado, pode trazer benefícios inclusive financeiros. 

O integrador é (ou deveria ser) responsável por orientá-lo também nesse sentido. Para amortizar o investimento, recomenda-se que o espaço seja ocupado a maior parte do tempo, se necessário agregando outras atividades além do treinamento proposto originalmente. 

Em vez de esperar a liberação do orçamento para construir uma sala de reuniões nos moldes tradicionais, utilizada apenas na reunião semanal da diretoria, por que não pensar já em módulos versáteis, que possam ser adaptados a reuniões grandes e pequenas, incluindo treinamentos e apresentações de projetos? Estão aí as huddle-rooms para mostrar o caminho.

Nem comentamos aqui sobre as redes e sua incrível variedade de configurações e formatos. Numa rápida abordagem, pode-se afirmar que todo gerente de TI e/ou administrador de facility deve ser orientado sobre as vantagens de integrar os sistemas AV à rede interna da empresa. Os conceitos mais avançados sugerem integração também com redes de fornecedores, ou até de alguns clientes específicos, de modo a facilitar o fluxo de dados – que hoje inclui obrigatoriamente áudio e vídeo.

Em mais de vinte anos cobrindo o mercado de tecnologia, com foco na prestação de serviços, aprendemos que, além da qualidade dos produtos especificados e instalados, é fundamental construir uma relação de confiança entre integrador e usuário. Um projeto nunca está definitivamente concluído, pois sempre poderá ser aprimorado. Os usuários fatalmente vão descobrir novas necessidades. E a tecnologia evoluirá no sentido de atendê-las.

Bom trabalho a todos os profissionais envolvidos!

*Orlando Barrozo, Diretor Revista Home Theater & Casa Digital e Business Tech.

Richard Santa
Author: Richard Santa
Editor
Periodista de la Universidad de Antioquia (2010), con experiencia en temas sobre tecnología y economía. Editor de las revistas TVyVideo+Radio y AVI Latinoamérica. Coordinador académico de TecnoTelevisión&Radio.

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